Em construção. Praticamente um canteiro de obras.

Folia Momesca

Carnaval!

O tempo que Momo estabelece seu reinado em mim. Tudo se transforma, tudo é divino e maravilhoso. Mas é preciso estar atento e forte. Violência da zorra. Mas enfim, onde há excessos há violência.

Dá medo, mas não adianta. Não consigo ficar quieto parado em casa sabendo que toda a minha cidade respira folia. Vou me jogar mais um ano, sabendo que o ano novo baiano se inicia. na Quarta-feira de Cinzas

Bom Carnaval pra vocês, seja se você vai pular a alegria na rua ou curtir o calor carnavalesco em bons lençóis e  bons sofás. 

Fim de Ano

O sol entra na minha casa 7. Acho interessante. Me sinto mais bem humorado, mais disposto; a casa sete sempre traz uma coisa boa, uma energia legal.

Astrologia à parte, isso não impede uma coisa. A maluquice que é fim de ano, fim de festa. Sabe quando, por melhor que seja o show, quando você percebe que o show vai acabar? Tocam-se as músicas mais conhecidas, mais agitadas, pra daqui a pouco o cantor chegar e dizer tchau, bye, yo te amo brasil... essas coisas. E você fica lá, foi lindo, divino, maravilhoso. Mas hora de voltar pra casa.

Num tempo danado de correria, vem você e se pergunta. Que casa? Onde é que eu tô. O seu lado mais melodramático vem à tona nos finais de ano. Maria do Bairro ficaria no chinelo. É uma sensação de dever não cumprido, de coisas a fazer que você não fez, de quem você poderia ter pego e não pegou, do concurso que você não passou, do emprego que você perdeu (e poderia estar pagando sua festa de final de ano num lugar melhor, né?), da vida que está passando, você ficando mais velho e... e é bem por aí.

Pra mim essa angústia só é potencializada quando você pisa o pé fora de casa. É um negócio de você ter que comprar presente... Mas presentear o quê mesmo? O fracasso que foi o ano todo? O vazio que você não completou durante um ano, e agora você merece um presente? Pessimismo à parte (sim, meu bem, final de ano é tempo de 'renovassaum', leia-se um pessimismo da zorra), é mais ou menos assim que funciona.

As pessoas simplesmente esquecem que um ciclo não é só um ano. Tudo bem que é o ciclo mais importante (pelo menos aparentemente), onde as coisas seculares começam e terminam. O mundo do lado de cá funciona de Janeiro a Dezembro. Tá. Mas e o ciclo interior? E o ciclo da sua vida? O eterno ir e vir, terminar e começar? Sim, sim!!! Ele é tão importante quanto o ano civil. A gente não presta atenção nos nossos ciclos. Nas nossas coisas que começam, terminam e recomeçam. Terminou um namoro? Veja quanto tempo demorou pra engatar outro. É um ciclo. Enquanto isso, vá pensando no que aprendeu: é um ciclo terminando em sua vida, aos poucos. Não importa se é de doze meses ou 3 segundos. Morreu um amigo, um ente querido? Veja em quanto tempo a dor leva pra passar. É o seu ciclo natural. Não tem nada a ver com o ano lá fora. Perdeu um emprego? Que pena. Bote currículo e veja quanto tempo leva até você arrumar outro. É o seu ciclo de adaptação até ter outra fonte de renda.

Eu não sei. Pra mim tempo é bem relativo. Meu ciclo é meu ciclo. Aliás, meus ciclos naturais. Dane-se esse que inventaram.

Sim, e Feliz Natal e Ano Novo pra quem leu.

Postagens Astrais


Meses de signos fixos (Maio, Agosto, e, pela teoria seguirão Novembro e Fevereiro) parece que dão mais trabalho pra postar. Acho que por representarem casas astrais longas, onde as coisas estão consolidando, fico mais renitente pra ir pro blog e escrever.


Pra quem não entende de astrologia, não entendeu bulhufas. Explicando: os meses supracitados são períodos em que meu ascendente (Câncer) passa por um processo mais lento, onde as coisas se consolidam. Sim, eu acredito em Astrologia. Na verdade, não sou do tipo que troca a roupa azul depois de ouvir no horóscopo da rádio que a cor da sorte é o rosa-grená-pálido e corre pro guarda-roupa pra procurar até achar alguma peça de roupa com a bendita cor. Só acho que uma arte de dezenas de milênios simplesmente não dá pra ser desprezada. Sou fascinado desde menino por essa coisa de Astrologia, tudo se encaixa muito forte, especialmente no campo da personalidade.

Sou Peixes, ascendente em Câncer, lua em Virgem. Tudo muito bem sincronizado. Dizem as boas línguas que sou pisciano torto: me dou bem com gente de tudo que é signo. Mas, Zodíaco a parte, acho que sou um emaranhado de coisas que às vezes dá trabalho pra entender. Enfim. Me dou o benefício da dúvida, pra continuar no processo de construção do "quem sou eu". E pouca coisa é tão produtiva quanto astrologia pro autoconhecimento.

Sensações

Estranho me sentir na Bahia - como se conhece, como eu me sinto - na minha rua.
Na verdade, não me sinto mais na minha rua há muito tempo. Tudo cresceu, tudo mudou muito, se fechou mais ainda. As pessoas perguntam onde eu moro, eu digo que eu durmo minha cabeça num travesseiro na minha casa. Afinal, é mais tempo na rua que qualquer outro lugar.

Eu não sinto mais minha rua, mas ao mesmo tempo sinto falta dela. Sinto falta, por exemplo, não de quando ela não era asfaltada - em tempo de chuva, a gente via rato rolando - mas do tempo que eu senti e vivi quando ela ainda era de terra.

Saudade do tempo em que a gente brincava, que ninguém tinha filho (é, alguns amigos adolesceram com filhos), do tempo em que a gente dormia pensando no que vai brincar amanhã. Do tempo em que todo mundo se gabava que aqui era tranquilo, e que não precisávamos ver placas com 'Segurança Motorizada' nas casas. Do tempo em que terreno baldio era esconderijo e que as casas eram uma sim outra não; não tinha tanta parede-meia como é hoje. Do tempo em que tráfico de drogas era coisa de longe, de lugar grande como São Paulo, Rio de Janeiro, e só tinha na televisão.

Outro dia desse fui comprar uma lata de creme de leite na venda de Gonzaga. Na volta, carregando o saco de plástico na mão, de repente ouço uma casa vizinha - não sei quem são mais meus vizinhos - tocando Jau no rádio, a música, uma das minhas preferidas, Reconvexo. A casa da outra vizinha da frente exalando uma moqueca. O cheiro do dendê e a música de Jau. De repente, um vento no rosto, uma brisa gostosa, e eu voltando pra casa, pra trazer o creme de leite.

Painho na frente, lavando carro. Mainha fazendo comida. De repente, tudo fica tão bom, tão casa.

Sensações que não se explicam, mas passam uma noção de casa, de lar, de Bahia, de onde eu moro, de que tudo, mesmo tendo um fim, tem um começo. Começo que é, talvez, pra onde a gente sempre volta.

Isso Não É Amor

Embora eu tente, não entendo de verdade seu comportamento.

Embora goste de você, com certeza não da mesma forma como você me ama - ou ao menos insiste em publicar nas suas redes sociais que assim o faz - você consegue dar um jeito de me perder. Sim, por que da forma como você se comporta comigo, é o máximo que você consegue, me confundir.

Me confundir por que, sinto que seu amor pueril ainda me sufoca. Preciso de mais fôlego.

O amor é, de longe, o mais metamorfoseado dos sentimentos. Ele não se conserva com muita facilidade, em tudo o amor se transforma, o amor é maleável demais: de amor pra se virar outro sentimento, é daqui pra ali. Pra o amor virar essas coisas de 'paixão', 'obsessão', é um pulo.

É mais ou menos isso que eu vejo que acontece contigo. Você me ama, mas pura e simplesmente por isso, já acha que me tem. Amor não é posse. Você me liga todos os dias: não confunda, amor não é obsessão. Você sutilmente me faz cobranças, mas lembre-se: amor não é chantagem.

Amor, pra mim, é liberdade. Grave bem essa palavra: LIBERDADE. Não é liberdade de amar outras pessoas, não é libertinagem, é liberdade de te ver, de sentir seu carinho, seu ombro amigo, e sem você me cobrar, você poder ouvir o meu 'eu te amo'. E eu, com doçura, poder ver, sentir e ouvir o seu amor.

Você ainda é jovem, sente pela pele, e não consegue fazer a distinção entre o fogo da paixão e a brisa calma do amor. Eu, tão cedo, não posso abrir minha boca e te dizer, eu te amo. Não. Eu ainda não te amo. Mas tenho a certeza que nutro, régo e côlho um carinho enorme, que não demoraria a virar amor. Mas não regue demais a planta do amor: ela pode ficar bêbada de água, e não vingar.

Eu quero você pra mim, mas vá me tendo com calma. Não se apresse. Não se precipite. O amor é belo, e ainda temos a vida toda pra vivê-lo. Vá com calma e me conquiste.

Você tem pureza e malícia de alma suficiente pra isso.

Pensamentos Randômicos

Não se nasce feliz, nem se vive feliz: torna-se feliz. A felicidade é um momento, cuidar pra não ser passageiro, uma planta de flores frágeis. que deve ser cultivada com muito zelo pela sua grande facilidade de murchar e morrer.

Ela não cai do céu, é necessário ir procurar onde essa semente nasce, colhê-la, cultivá-la, e todos os dias acordar cedo pra regá-la, numa árdua tarefa. É uma planta extremamente exigente, que cansa, que não dá paciência pra cuidar, por isso, exige treino. Mas, em compensação, os frutos tem um sabor incrível, que recompensa a longa tarefa.

Tenho dificuldade com gente mesquinha, que se defende de tudo que a gente fala, que se irrita fácil, que estão sempre na defensiva. Preciso sempre dos corações abertos ao riso, a suavidade.

Tenho uma sede intensa de conhecimento. Sou dono de uma reatividade/relatividade pisciana inata, tendo a ser com você, como você é comigo.

Admiro o intenso, e tenho certeza que vivo com prazer o tempo em que estou. Só não consigo compactuar com o trivial, aquela insanidade tão 'lugar-comum', o culto ao efêmero, a política de 'viver até o último segundo', como se planos, sonhos e visão futura fossem coisas proibidas. Cegamos nosso poder de planejar em nome de uma filosofia inócua, a do 'sem-compromisso'. Onde fica o depois? Por que as consequências, meus caros, elas só vêm depois.

Podemos morrer amanhã, mas o amanhã também pode ser o melhor tempo de nossas vidas.

Faça Login, Senhora Monção!

Entre os meus amigos, há uma figura a quem eu tenho o prazer de tietar, assumidíssimo.
Afra é uma amiga minha que já foi muito porra-louca na vida. Ainda é, só que mas com mais pachorra e cuidado.

É depois de sair da casa de Afra que eu saio animadamente contagiado por aquela visão ácido-corrosiva que ela tem. Afra acredita no mundo, só que ela simplesmente não se estressa, por isso aquele sarcasmo tão magnético. A Lua dela em Aquário foi mais forte que o Sol: questões universais a preocupam, mas o bom humor dela fala mais alto.

Toda vez que vejo Afra me dou conta de que tem coisa mais importante do que aquilo que eu acho importante. É um revezamento de padrão das coisas natural. Ela me dá toques, só por falar, de Daniela Mercury à galerias de museus, de relacionamentos à editais, do que mais e do que menos for cultural, a gente conversa. E assim flui até o dia amanhecer.

Volto pra casa. À noite, fui dar uma olhada na televisão, não necessariamente pra me sentir mais inteligente, acho que pra digerir melhor a janta. Mudei da novela (a tevê tem vários canais, mas na prática, só tem um canal, que vocês já sabem) pra o canal dito Cultura, em rede nacional. Me deparo com um programa chamado Login, cuja estranha vinheta de abertura são as silhuetas de uns jovens em um LED, coisa mais kitsch e tecnocrática impossível. Login, internet e LED é tudo faz tudo parte das mesmas 'modernidade'. Tenso.

O programa era ao vivo. Muito tenso. Um casal - beijo, sexismo! - jovem, branco, assume o comando. Embaixo dos nomes deles, o @algumacoisa, tipo, acesse-meu-twitter-sem-precisar-muito-saber-quem-sou-eu. Coleção de followers?

O casal, no estilo mais show de calouros impossível, parece não ter a menor noção de como comandar o programa, que era do estilo 'novidades pra gente jovem burra'. Daqui a pouco vamos falar de 'flash mob', anunciava o bonitinho. Flash Mob? Minha gente, tudo bem que nem todo mundo conhece o tal do Flash Mob, mas caramba... Só faltou ele falar da novidade chamada 'Orkut', ou do último lançamento do cinema: Titanic. Me poupe.

Os dois sempre em tom amador/debochado, como se não lembrassem que ganham pra fazer aquilo. Se ganham pouco, se não tão satisfeitos, se estão na geladeira da Glóbulos - o brother que apresentava era ator global, tenho certeza - se danem. Eu, telispéctadô, não tenho pê-ene a ver com isso. Daqui a pouco, ói o bonitinho chamando um outro cara, em tom de show de calouros [2].

Super tenso.

O outro cara, rei... Brother, o outro cara tava cochilando.
Velho, o cara apresenta um programa, e tava cochilando! Rei... Co-chi-lan-do!!! Alguém avisa!
Me faça uma garapa. Pago pra dormir em serviço. E ao vivo.

Meu estômago já em colapso. E eu que tinha ligado a TV na intenção de fazer uma digestão melhor...

A piveta começou a mostrar uns 'links interessantes'. A internet vive me bombardeando com 'links interessantes', e eu preciso ligar a TV pra ter 'links interessantes'. Interessante... Vamos aos links: Fotos de comidas decoradas. Maçãs em formato de borboleta e de laranja suicida. Depois, um site de fotos de bentôs (marmita japonesa) decorados. "E olha, quando você passa o mouse, ele te mostra os ingredientes...". Interessantíssimo. Depois dessa, vendo minha cama, pois não vou conseguir mais dormir.

Eu preciso de gente como Afra na televisão.